Atividades serão contabilizadas como carga horária do estudante

No ano letivo de 2020, apenas o Plano de Estudo Tutorado (PET) foi utilizado para computar a carga horária dos alunos da rede estadual de ensino. Com o intuito de valorizar as atividades extras para auxiliar no aprendizado dos estudantes, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) achou importante valorizar o trabalho e o saber docente. Sendo assim, a partir deste ano, os PETs passam a contar como 60% da carga horária e as atividades complementares elaboradas pelos educadores equivalem a 40%.

A ação tem entre seus objetivos disponibilizar atividades que dialoguem com a realidade de cada turma e explorar meios diferenciados para motivá-los. “Estas atividades podem ser diversificadas, no formato escrito, exercícios, mas também podem ser uma variedade de metodologias de ação, como a produção de podcast, videoaulas e oficinas com materiais concretos, de acordo com a criatividade de cada professor e acesso do estudante”, destaca a superintendente de Políticas Pedagógicas da SEE/MG, Esther Augusta Nunes Barbosa.

Foco nas necessidades dos estudantes

A professora de geografia Cassia Helena Barbosa Morato, das escolas estaduais  Francisca Botelho e Monsenhor Artur de Oliveira, em Pitangui, conta que desde o ano passado já encaminhava para os alunos indicações de textos e vídeos para complementar os PETs e que a oportunidade dessas atividades contarem como carga horária valoriza o trabalho desenvolvido pelo professor. “Achei muito positivo o PET permitir que a gente faça essa complementação. É mais trabalhoso, mas os frutos serão melhores. Acho muito interessante essa autonomia, porque valoriza o trabalho do professor e isso é muito bacana”.

 Cassia Helena Barbosa Morato é professora nas escolas estaduais Francisca Botelho e  Monsenhor Artur de Oliveira. Foto: Arquivo Pessoal

Ainda segundo a educadora, o contato do professor com o aluno faz com que as atividades propostas sejam realmente relacionadas às necessidades dos estudantes. “As atividades complementares são feitas de acordo com o que o PET vem trazendo, seguimos aquele eixo temático e habilidades a serem alcançadas. Além disso, elas são um pouco mais aprofundadas, porque conhecemos os alunos e, a partir dos diagnósticos que vamos fazendo, sabemos onde eles podem ter mais dificuldades”.

Além das atividades complementares, Cassia também destaca a realização de projetos, que muitas vezes serão realizados nos sábados letivos, e conta sobre o Stop Covid, iniciativa que envolveu toda comunidade do município de Pitangui. “Foi uma ação que contou com a parceria de toda equipe da nossa escola e de outras unidades de ensino da cidade. Buscamos materiais de conscientização e enviamos para os alunos durante uma semana. Na sexta-feira, pedimos que eles desenvolvessem materiais e vídeos que seriam divulgados nas redes sociais”, relata.

Os alunos também produziram jornais lambe-lambe, que deveriam ser colados nas portas de suas casas e que abordassem a questão da prevenção à Covid-19.“No sábado letivo, em praticamente todas as casas da cidade, tinham um informativo em suas portas. Foi uma atividade diferenciada e que irá contabilizar na carga horária do aluno”, conclui Cassia.

Atividades mais lúdicas

Regina Melo Moscardini Costa é professora do 3º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Professor Nestor Lacerda, no município de Boa Esperança. Como atua com crianças, a educadora busca desenvolver atividades complementares mais lúdicas e que estimulem os estudantes a trabalharem com materiais que possuem em casa.

“Faço muitos jogos e utilizo materiais reciclados. Teve uma atividade que escrevi as sílabas em um quadro, tirei fotos e encaminhei para eles. Falei para pegarem um pedaço de papelão, escrever as sílabas e formar as palavrinhas. A devolutiva foi ótima. Em matemática, por exemplo, fiz uma atividade com tampinhas, pedrinhas e palitos. Pedi para eles fazerem vários montinhos”, conta Regina.

Regina desenvolve atividades mais lúdicas para seus alunos. Foto: Arquivo Pessoal

A inspiração para a elaboração das aulas vem de muita pesquisa, como destaca a educadora. “Procuro fazer o melhor. Sempre estou estudando e pesquisando coisas mais lúdicas e que envolvam os alunos. São aulas prazerosas para mim e para eles”, conclui.

Envolvendo os estudantes

No município de Itajubá, a professora Gabriela Belini Gontijo tem uma meta: sempre elaborar atividades que os alunos vão gostar. “Fui uma estudante que detestava aula chata e sempre me coloco na posição do aluno. Se eu estiver elaborando aquele conteúdo e achar chato, tenho certeza que o estudante também vai achar. Então eu tenho essa preocupação e penso o que eu poderia fazer para que eles gostem da aula”, revela a professora de Química dos alunos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Coronel Carneiro Júnior.

Para Gabriela, a liberdade para os educadores elaborarem as atividades complementares foi positiva. “ Fiquei muito feliz quando o estado deu a oportunidade da gente dar a nossa marca, colocar o nosso perfil nas atividades. Quando estamos elaborando as atividades complementares buscamos utilizar o recurso que seja mais adequado para o aluno”, afirma.

Gabriela se coloca no lugar dos estudantes para elaborar as atividades complementares. Foto: Arquivo Pessoal

Um dos exemplos de atividades que a escola irá focar este ano está relacionado com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Para os alunos do 3º ano do ensino médio, a orientação da escola é que os conteúdos sejam voltados para o Enem e que auxiliem os estudantes a seguirem com seus estudos”, conta.

Educação Especial

Os estudantes que são público da educação especial também estão recebendo atividades complementares. Os materiais devem ser adaptados a partir do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) do aluno e atender às necessidades educacionais específicas de cada estudante.

Plano de Estudo Tutorado

O PET é um conjunto de atividades de todos os componentes curriculares de cada etapa de ensino que os estudantes devem realizar em casa para dar continuidade ao seu processo de ensino e aprendizagem. O material é a principal ferramenta e o instrumento estruturante desenvolvido para o Regime de Estudo não Presencial, ofertado pela SEE/MG neste momento em que as atividades escolares presenciais estão suspensas.

Para este ano letivo de 2021, a novidade é que as apostilas com os conteúdos trabalhados em cada ano de escolaridade passam a ser bimestrais, ou seja, a cada dois meses o estudante terá acesso a um novo material, totalizando quatro PETs no ano.

As apostilas estão disponíveis gratuitamente para download, no endereço eletrônico estudeemcasa.educacao.mg.gov.br. Assim como no ano passado, para os estudantes que não têm acesso à internet, o PET é entregue impresso. A logística e a organização para a entrega serão feitas pelos gestores escolares, de acordo com a realidade de cada comunidade, sempre respeitando as determinações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) com relação aos protocolos sanitários de prevenção e combate à Covid-19.

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