Minas Gerais está entre os três melhores estados no Índice de Educação a Distância, segundo estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Regime de Estudo não Presencial desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) alcançou nota 5,83, bem acima da média nacional que ficou em 2,38. O levantamento considerou as ferramentas implementadas durante o período da pandemia da covid-19, nos 27 estados e nas capitais. Minas se destacou por ter maior cobertura e pela agilidade na implementação do ensino remoto para os alunos da rede estadual. Na primeira posição ficou a Paraíba com nota 6, seguida pelo Distrito Federal com 5,88.

O resultado do levantamento foi comemorado pela secretária de Educação de Minas, Julia Sant’Anna. Segundo ela, o estudo mostra que a Secretaria de Estado de Educação agiu no momento certo, desenvolvendo ferramentas em tempo recorde que permitiu que os estudantes não perdessem o contato com o ambiente de estudos, mesmo que de forma remota.

A secretária de educação ressaltou ainda a importância do empenho e o trabalho de toda equipe para que a perda no processo de ensino e aprendizagem fosse a menor possível nesse cenário. “Entendemos que o resultado expressa o trabalho integrado de muitos: técnicos, gestores e professores. Desenvolvemos diversas estratégias com a consciência da diversidade do nosso estado e do cuidado de tratar cada estudante considerando sua condição específica”, afirmou. Ainda de acordo com Julia, as estratégias seguem sendo aprimoradas para deixar as ferramentas ainda mais eficientes e garantir ainda mais qualidade para os estudantes mineiros.


O índice considerou quatro componentes para determinar as notas: os meios de transmissão, que leva em conta canais utilizados para oferecer aulas a distância, vídeos ou conteúdo educacional aos estudantes, como rádio, televisão ou internet; as formas de acesso que são os materiais, dispositivos e tecnologias disponibilizados para oferecer a alunos e professores acesso às aulas e aos conteúdos, como celulares, tablets, apostilas ou quaisquer formas de subsídio à internet; a supervisão dos alunos, que verifica as responsabilidades de supervisionar e garantir a frequência dos alunos nas aulas, além do monitoramento das atividades propostas, se atribuídas a professores e escolas, às instituições educacionais dos governos, ou a ambos; e, por fim, a cobertura, que são os níveis educacionais cobertos, como infantil, fundamental e médio ou EJA, no caso das capitais.


A análise dos dados ainda demonstra o pioneirismo das medidas adotadas no Regime de Estudos não Presencial desenvolvido em Minas. O estudo mostra, por exemplo, que, enquanto Minas já oferecia aulas transmitidas pela TV em maio, essa realidade mineira era percebida em apenas 40% dos estados. Outro ponto superlativo do plano de educação remota desenvolvido pela SEE/MG diz respeito à distribuição de materiais e o subsídio do acesso à internet. A realidade da navegação patrocinada, propiciada pelo governo de Minas, só foi verificada em 10% dos estados.


Além disso, os estudantes da rede estadual de Minas tinham acesso ao Plano de Estudos Tutorados (PET), apostilas com o conteúdo por ano de ensino e de acordo com o currículo referência, porém, apenas 50% dos estados ofereceram iniciativa semelhante. Os PETs, inclusive, foram utilizados por inúmeras secretarias de municípios do interior de Minas, que ofertaram aos alunos das redes municipais desses locais.

As ferramentas do Regime de Estudo não Presencial foram ofertadas para todos os municípios mineiros e o uso foi facultativo. Levantamento realizado pela SEE/MG, junto às Superintendências Regionais de Ensino (SREs), mostrou que mais de 70% dos municípios utilizaram os Planos de Estudos Tutorados em suas redes de ensino.

 

De forma geral, o levantamento feito pela FGV demonstra que os estados tiveram desempenhos bem melhores que os observador nas capitais. Em Minas não foi diferente, enquanto o governo de Minas ofereceu o Regime de Estudo não Presencial, desenvolvido em parceria com entidades ligadas à educação e universidades, o mesmo não foi verificado na capital. “Enquanto a maior parte das capitais desenvolveu planos, um número significativo de capitais não apresentou plano de ensino a distância. Alguns prefeitos, como o de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, trabalharam ativamente para impedir que as escolas oferecessem ensino remoto, sob o argumento de que esta modalidade de ensino aumentaria as desigualdades”, destaca o estudo pela Fundação.

 

Regime de Estudo não Presencial


Com o isolamento social e a necessidade de suspensão das atividades escolares presenciais, em março deste ano, em razão da pandemia da Covid-19, a SEE/MG desenvolveu, para dar continuidade ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos da rede pública estadual de ensino, o Regime de Estudo não Presencial.

Desde maio, os alunos da rede contam com três principais ferramentas para acesso aos conteúdos escolares: o Plano de Estudo Tutorado (PET), o programa Se Liga na Educação e o Aplicativo Conexão Escola que tem a navegação para alunos e professores custeada pelo Governo de Minas.


O Regime de Estudo não Presencial de Minas Gerais vem sendo elogiado nacionalmente e está contando com grande participação dos estudantes da rede. Os alunos tiveram acesso aos PETs, principal instrumento e elemento estruturante das atividades remotas, por meio virtual ou impresso, entregues desta forma para aqueles estudantes que não têm acesso à internet. A ferramenta também foi usada para computar a carga horária dos estudantes, já que as apostilas foram desenvolvidas considerando a quantidade de aulas semanais das disciplinas, alcançando 97% dos alunos.

 

Parcerias também foram feitas para a distribuição das apostilas impressas, que foram destinadas para os estudantes que não tinham acesso à internet. Com toda segurança sanitária, para que os PETs chegassem até as mãos dos alunos, as escolas contaram com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais, das prefeituras, dos comércios e das empresas locais, dos conselhos tutelares, das equipes da saúde da família, entre outros. Toda a organização e a logística da entrega dos PETs impressos foram feitas pelos diretores de cada unidade de ensino, de acordo com a realidade de sua comunidade escolar. Os gestores escolares se empenharam ao máximo e não mediram esforços para fazer com que todos os estudantes tivessem acesso ao material.

 

Mesmo durante o ensino remoto a SEE também fez importante investida para trazer de volta alunos que abandonaram a escola por diversos motivos. A busca ativa conseguir fazer com que quase 30 mil alunos voltassem a participar ativamente das atividades escolares remotas. 

O acompanhamento das atividades escolares é feito pelos gestores e equipe pedagógica das escolas, que estabelecem a melhor forma de envio e recebimento das atividades realizadas pelos estudantes. Cada unidade organizou o seu processo de interação com os estudantes, mantendo o vínculo do aluno com a escola e sua rotina de estudos. A partir desse acompanhamento, as escolas desenvolveram diferentes ações direcionadas de busca ativa dos alunos que não estão participando ativamente das atividades remotas para garantir a permanência desses estudantes na escola.

Números superlativos

Se considerarmos toda programação de exibição das teleaulas do Se Liga na Educação referente ao ano letivo de 2020 foram 1.850 aulas exibidas no programa, em 616,6 horas no ar. Já o Tira-Dúvidas – momento em que os alunos podem enviar dúvidas que são respondidas ao vivo -, alcançou 185 programas e 199,85 horas de exibição, até o dia 29 de janeiro de 2021. 

Para auxiliar estudantes, pais e/ou responsáveis e professores a terem acesso mais ágil às informações e materiais trabalhados durante o Regime de Estudo não Presencial, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) criou o site estudeemcasa.educacao.mg.gov.br. O portal se tornou referência entre as comunidades escolares e chegou a registrar mais de 40 milhões de acessos desde maio, quando o ensino remoto foi implementado na rede pública estadual de ensino.

Outra ferramenta implementada durante o ensino remoto foi o aplicativo Conexão Escola. Ele reúne os materiais de estudo – PET e as vídeoaulas do Se Liga na Educação - em uma plataforma que tem a navegação patrocinada pelo Governo de Minas para os estudantes e professores. Além disso, permite a interação, com segurança, entre aluno e educador por meio de um chat.

Desde o dia do lançamento do Conexão Escola, foram realizados mais de 1,55 milhão de downloads do aplicativo. Mais de 800 mil usuários ativos, entre professores e alunos, já utilizaram a plataforma. Além de estar disponível para aparelhos celulares e tablet, o Conexão Escola também pode ser acessado direto no computador, em todos os navegadores. Para o ano letivo de 2021, a ferramenta foi atualizada e trará ainda mais benefícios e facilidade de interação.