“3,2,1...no ar”. Esta não é uma expressão tradicionalmente associada à rotina dos professores e professoras, mas passou a ser para os educadores que aceitaram o desafio de participar das transmissões do Se Liga na Educação. O programa é umas das ferramentas que compõem as estratégias do Regime de Estudo não Presencial, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) durante o período em que as atividades escolares presenciais estão suspensas.

Até então sem experiência em TV, os professores encararam o desafio e não faltaram dedicação e empenho por parte da equipe que, diariamente, está na tela da Rede Minas para todo o estado. Tanto os que já participam do projeto desde o início, como os que chagaram mais recentemente, saíram de uma realidade que conheciam para mergulhar em um cenário totalmente diferente. Já acostumados com as salas de aula, se propuseram a desenvolver nova dinâmica para repassar o conteúdo para os alunos mineiros.

Para a professora de História Viviane Soares, o momento foi semelhante à estreia na profissão. “No começo foi difícil. As câmeras. Tanta gente. Agora está mais tranquilo. Eu tentava imaginar que a aula ia chegar no meu aluno, que eles iriam assistir”, conta.

Viviane fala que a vontade de dar aulas já estava presente desde criança. Contudo, uma influência especial a ajudou na consolidação do desejo. “No ensino médio teve um professor, o Candinho, conhecido como ‘Sô Candinho’, que me fez optar por história. Ele tinha muito prazer em dar aulas e a gente ficava muito envolvido. Isso me motivou a escolher a disciplina”, revelou. E completa dizendo que esse amor ela carrega consigo. “Desde o primeiro momento que entrei em uma sala de aula eu sabia que era aquilo que eu queria”.

Viviane Soares, professora da E.E. Professor Pinheiro Campos, em Oliveira./Foto: Arquivo pessoal

Educadora há 11 anos, cinco deles atuando na Escola Estadual Professor Pinheiro Campos, em Oliveira, na região Centro-Oeste de Minas, Viviane sempre esteve envolvida em projetos ligados à área. Para o futuro, ela já pensa em usar a experiência no Se Liga nos seus próximos passos acadêmicos. “Eu vejo o projeto como oportunidade. Tenho vontade de fazer doutorado e essa experiência vai contar muito. Todos os desafios vão me ajudar a chegar aonde eu quero”, comenta.

O professor de sociologia Alexandre Marini chegou mais recentemente ao grupo que participa do Se Liga na Educação. Lecionando há cinco anos, ele atualmente dá aulas da Escola Estadual Ari da Franca, no bairro Santa Mônica, em Belo Horizonte, mas optou pela educação após ter vivido outras experiências profissionais. “Eu achei que ser professor seria bem interessante, aquela coisa de envelhecer, se tornar mais sábio”, conta.

Alexandre Marini, professor da Escola Estadual Ari da Franca, em BH./Foto: Arquivo pessoal

Alexandre diz que acredita que a proposta de participar da iniciativa veio como consequência do trabalho que está realizando ao tratar de temas da sociologia, em uma linguagem mais acessível para os seus alunos. Ele considera que a profissão vai ser ainda mais reconhecida depois que tudo isso passar. “Educação não é só transmissão de conhecimento. A educação está no choque geracional. É quando duas gerações diferentes, professores e alunos, se debruçam sobre o conhecimento construído pela sociedade”, avalia.