Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida como Estadual Central, é uma das 79 unidades estaduais de ensino que oferecem a modalidade. Foto: Franciele Xavier (SEE/MG)

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) finalizou, nesta quinta-feira (13/12), o Documento Orientador para o Ensino Médio Integral e Integrado, construído ao longo de 2018 por meio do diálogo e da escuta com professores, diretores e estudantes das 79 escolas estaduais mineiras que oferecem a modalidade e com as respectivas Superintendências Regionais de Ensino (SREs).

O documento reúne diretrizes para as ações do Ensino Médio Integral e Integrado em 2019 e foi elaborado com o objetivo de manter os avanços e responder as questões que apresentaram problemas e desafios nesses 16 meses de implementação da modalidade em Minas Gerais.

Um dos pontos apresentados por estudantes, diretores e comunidade escolar foi o cansaço em função de excessivas aulas teórica. A resposta da SEE, no Documento Orientador, foi sugerir a possibilidade de criação, no espaço das 45 horas semanais que os alunos têm no Ensino Integral, de quatro horas de estudos individuais orientados para que eles tenham um momento para cuidar do seu projeto de vida.

Outra questão muito comentada como um desafio foi a realização do café coletivo no início do dia, em razão das especificidades de cada território, como situações de transporte que dependem de outros órgãos, por exemplo. Como opção de melhoria, a SEE sugere que a escola crie um plano de convivência para os estudantes, que pode ser no início, meio ou ao final do dia, mas que sempre tenha esse momento de socialização.

Também está na lista dos assuntos mais comentados a vontade dos estudantes de que o Ensino Médio Integral e Integrado os ajudasse a se preparar para o ENEM. Então a SEE respondeu com a criação de um cursinho de aprofundamento e revisão para o ENEM, e todas as escolas do programa que tiverem interesse poderão ofertá-lo na parte flexível do currículo.

De acordo com a coordenadora geral da Educação Integral e Integrada da SEE, Cecília Resende, o Documento Orientador representa a importância da coletividade e do diálogo para sugerir ações que podem direcionar as políticas públicas para as juventudes e os próprios projetos de vida dos estudantes, em especial desta modalidade de Educação. “Finalizamos este documento com uma entrega que não significa um processo realizado por definição única da Secretaria, e sim um instrumento de orientação e de fortalecimento da política de Educação Integral em Minas Gerais construído a, no mínimo, 79 mãos, além das equipes das SREs e da própria Secretaria. E mesmo sem receber a versão final, já tivemos um retorno muito positivo de todos os envolvidos e nos sentimos muito honrados em saber que os diretores destas escolas, como eles mesmos nos afirmaram, viram-se respeitados e sentiram-se ouvidos no Documento”, concluiu Cecília.

A versão preliminar do Documento Orientador contendo estas e diversas outras sugestões de ações foi entregue a todos os diretores das 79 escolas estaduais e às SREs no dia 20 de novembro para que todos pudessem enviar suas contribuições. No dia 4 de dezembro, data em que aconteceu o Encontro de Escolas de Ensino Médio Integral e Integrado, em Caeté, região metropolitana de Belo Horizonte, a SEE se reuniu com representantes das SREs e com 78 diretores para discutir as sugestões enviadas e dar sequência à elaboração da versão final, que foi entregue nesta quinta-feira (13/12). A previsão é de que até o dia 21 de dezembro todas as escolas e SREs já estejam com o Documento Orientador para o Ensino Médio Integral e Integrado 2019.

Educação Integral e Integrada para o Ensino Médio

As ações de Educação Integral e Integrada buscam implementar a formação em diversas áreas, como esporte, artes plásticas, dança, música, teatro, informática, que complementem o conhecimento tradicional acessado pelo estudantes, por meio da ampliação da jornada escolar. Neste sentido, o território e a comunidade escolar são importantes atores. Em 2018, 79 escolas da rede estadual de ensino ofertam a iniciativa. São beneficiados cerca de 19 mil estudantes.

Em Minas Gerais, a iniciativa começou a ser ofertada em agosto de 2017 em 44 escolas estaduais que aderiram e corresponderam aos critérios estabelecidos na portaria 1.145/2016, do Ministério da Educação, que instituiu o Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral. Em 2018, outras 35 escolas iniciaram a ação.

O currículo da Educação Integral e Integrada é constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular, e flexível, de acordo com três campos de integração: Cultura, Artes e Cidadania; Múltiplas Linguagens; Comunicação e Novas Mídias e Pesquisa e Inovação Tecnológica e ainda com a oferta de pelo menos um curso técnico à escolha dos estudantes.

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