A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE), a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais (SESP) e o Centro de Educação Ambiental Centro Sul, da Prefeitura de Belo Horizonte, promoveram, nesta quinta-feira (6/12), o II Seminário de Avaliação do Projeto “Ecologia Vivencial”, no Parque Municipal Amilcar Vianna Martins, no bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte. Durante todo o dia, representantes de todos os parceiros envolvidos fizeram um balanço das atividades desenvolvidas ao longo de 2018 com a intenção de buscar meios de fortalecer os pontos positivos do projeto em 2019 e pensar conjuntamente o que pode ser feito para vencer os desafios.

O projeto, que é conduzido pela parceria entre os três órgãos, acontece desde julho de 2017 e consiste em promover vivências junto aos elementos vitais da natureza com jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em regime de internação em unidades de Belo Horizonte e região metropolitana, com o objetivo de implementar processos de resgate e valorização da vida. As atividades acontecem todas as manhãs de quinta-feira e envolvem, entre outras, o cultivo da terra, o plantio, a colheita e a relação com animais, sempre associadas a reflexões a respeito da construção e reestruturação da vida.

Michelle Pires, da SEE, em palestra para explicar metodologias utilizadas no projeto. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE-MG)

Durante o II Seminário de Avaliação, a analista educacional da SEE, Michele Pires, fez a apresentação de metodologias utilizadas durante a visita dos jovens ao Parque Municipal Amilcar Vianna Martins, local onde os encontros sempre acontecem, e falou sobre a importância delas. “Ao ter essa possiblidade de vivências experienciais, a gente não senta e diz sobre educação ambiental, e sim vivencia os processos vitais da natureza. Os meninos que participam das oficinas às quintas-feiras colocam a mão na massa: preparam a terra, fazem o plantio, adubam, cuidam. E, por meio disso, a gente vai desenvolvendo um valor e uma reverência à vida, a todos os processos de vida. Acredito que, de alguma forma, a gente resgata sentimentos importantes porque, no geral, esses meninos têm uma trajetória que os faz se desvincular desse processo de valorização da vida, às vezes da sua própria. E ao encontrar no outro, que é a natureza e seus recursos, que são os animais, um acolhimento que não traz julgamento, eles começam a receber ferramentas e forças para repensar e reestruturar essas trajetórias”, explicou Michelle.

Os agentes do sistema socioeducativo também acompanham as vivências dos jovens assistidos e, de acordo com a analista educacional da Coordenação de Educação em Direitos Humanos e Cidadania da SEE, Poliana Leal, isso é fundamental para aprimorar as relações. “São diversas as propostas de atendimento, e cada uma vai de acordo com o perfil do jovem em cumprimento de medida socioeducativa. Sejam quais forem, os agentes que os monitoram nas unidades também participam das oficinas e isso é importantíssimo porque envolve as pessoas que lidam diretamente com os jovens no dia a dia, e, certamente, melhora as relações e os entendimentos”, disse a analista.

Para a diretora de formação educacional da SESP, Poliane Figueiredo, o projeto Ecologia Vivencial superou as expectativas desde o início de sua implementação. “Pensamos que ia ser uma atividade para trabalhar apenas a questão da educação ambiental e acabamos vendo um mecanismo muito importante de trabalhar a responsabilização do adolescente frente ao ato cometido e a conscientização sobre a importância do papel de cada um em sua própria vida e em comunidade. Questionamentos sobre ‘onde estou’ e ‘onde quero chegar’, agora, são muito frequentes entre os participantes das oficinas. As equipes das unidades perceberam um cuidado muito primoroso com esses jovens, e todos têm apoiado muito o projeto”, disse a diretora.

Mirante do Parque Municipal Amilcar Vianna Martins, onde várias atividades de reflexão são realizadas. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEEMG)

As experiências vivenciais ficam por conta de Laiena Dib, analista de políticas públicas e bióloga do Centro de Educação Ambiental Centro Sul da Prefeitura de Belo Horizonte. É ela quem recebe os adolescentes e os agentes e técnicos ou educadores que os acompanham. Ao longo de 2018, o projeto foi desenvolvido com 224 jovens de várias unidades socioeducativas de Belo Horizonte e região metropolitana. Esse projeto traz esperança e responsabilidade. “São valores e vivências que já estão dentro dos jovens, dentro de nós, mas que muitas vezes ficam adormecidos e que, quando nós nos reunimos no social e no verde, ou seja, exatamente a ideia da educação socioambiental, acabamos percebendo o quanto isso é forte em nós e que o que nos falta é, por vezes, a oportunidade de desenvolver e compartilhar. O sair de quatro paredes, que é a vida de todos nós, estejamos ou não em unidades socioeducativas, faz com que tenhamos outra percepção sobre a vida”, explicou Laiena.

Todos os jovens do regime de internação das unidades socioeducativas são convidados a participar do projeto, no entanto, a participação de cada um está condicionada ao Plano Individual de Atendimento, que observa comportamentos e outras questões ligadas à liberação ou não de visitas externas.

Durante 2018, o projeto Ecologia Vivencial contou com o apoio da Comissão de Educação do Ministério Público de Minas Gerais, da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores da SEE, da ONG Asas e Amigos, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e da Subsecretaria de Segurança Alimentar e Nutricional da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto também foi finalista no Prêmio Inova 2018, promovido pelo Governo do Estado de Minas Gerais.

Horta do parque que é cultivada pelos jovens participantes do projeto. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)

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