Desde 2017, pelo menos três das escolas estaduais mais tradicionais e antigas de Belo Horizonte estão com as mesmas características de dezenas de anos atrás, mas com a diferença de estarem novas em folha. Parece uma contradição, mas é o resultado das reformas e restaurações pelas quais passaram a Escola Estadual Barão do Rio Branco, no bairro Funcionários; a Escola Estadual Pandiá Calógeras, no Santo Agostinho; e a Escola Estadual Barão de Macaúbas, no Floresta.

Os projetos para construção de novos espaços, reparos em redes elétricas e hidráulicas e manutenção de pintura, entre outros, eram solicitados há mais de 10 anos e foram elaborados e financiados pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE). A execução das obras foi de responsabilidade da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais (Setop) e o I nstituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) acompanhou a empreitada nas escolas Barão do Rio Branco e Barão de Macaúbas, já que as duas são tombadas pelo Estado de Minas Gerais. No entanto, pelo Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, as três construções são tombadas.

A Barão do Rio Branco teve suas obras concluídas em março deste ano. A escola foi o primeiro grupo escolar de Belo Horizonte e, criada em 1911, é uma construção centenária. O escopo do projeto contemplou reformas nas redes elétrica e hidráulica, construção de quadra esportiva e de anexos com novas salas de aula e laboratórios de ciências e informática, instalação de elevadores, restauração das características arquitetônicas, piso e pintura originais, além de modernização da infraestrutura e adequação às normas de acessibilidade.

A vice-diretora Maria Nazaré Arruda trabalha na Barão do Rio Branco desde 1999 e afirma que, de fato, o prédio precisava de uma reforma, inclusive para tornar mais segura a permanência dos alunos durante o horário de aulas, já que muitas estruturas estavam comprometidas. Agora, ela comemora o novo ambiente de trabalho. “Além de estar tudo de cara nova e com as características tradicionais preservadas e ainda mais bonitas, foi maravilhoso poder voltar para nossa sede, pois estávamos alocados no Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) e as condições não eram favoráveis para professores, alunos, e todos os outros profissionais da Barão do Rio Branco. Estamos todos adorando voltar para casa, porque aqui é nossa segunda casa”, disse Nazaré.

Gabriel Vieira, aluno do 7º ano na escola que encanta quem passa pela Avenida Getúlio Vargas, altura do número 1059, no coração da Savassi, disse que está aliviado por poder estudar na escola “nova”. “Aqui tem espaço para brincar. São dois pátios grandes, além da quadra. Sem contar as salas de aula, que são arejadas, têm muita ventilação, e está tudo novo. Dá mais gosto ainda de vir para a aula”, disse o jovem de 13 anos. O valor do investimento para reforma e restauração da Barão do Rio Branco foi de R$8.557.985,48, e as obras duraram cerca de cinco anos.

A reforma do Barão do Rio Branco recuperou a edificação e restaurou as características físicas do patrimônio. Foto: Mércia Lemos/SETOP

A satisfação de estar de volta à sede original da escola também se repetiu na Pandiá Calógeras, em fevereiro de 2017. Apesar de não ter tido todo o processo de reforma e restauração concluído naquela época, o prédio já estava em plenas condições de receber os alunos e profissionais para iniciar o ano letivo com tudo novo – lá, é ofertado o Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano.

A diretora Marta Eliana Azevedo Campos contou que, antes das obras, a escola estava com problemas de afundamento de terra que provocaram, inclusive, rachaduras e abatimento do nível do terreno. “Ou reformava, ou fechava a Pandiá”, disse a diretora.

Agora, com todas as 28 salas novas e impecáveis, redes elétricas e hidráulicas reformadas, quadra de esporte, pintura nova e iluminação totalmente modernizada, a diretora se diz empolgada e tranquila ao mesmo tempo. “Durante as obras, estávamos em um prédio de três andares alugado, e lá não atendia aos alunos. Não tinha espaço para o lazer, as salas eram apertadas, tínhamos apenas um refeitório. Agora, olha a diferença!”, disse Marta, apontando o enorme pátio interno da Pandiá. De acordo com ela, agora, sim, dá para oferecer aos cerca de 1500 alunos matriculados a estrutura que eles merecem, com qualidade e segurança. “Faltam apenas terminar o jardim e instalar um novo padrão de energia elétrica”, completou.

Na Pandiá Calógeras, o recurso investido foi de R$9,87 milhões – sendo R$6,49 na primeira fase e R$3,38 milhões na segunda – e, apesar de faltar muito pouco, pode-se dizer que as obras tiveram duração de, aproximadamente, quatro anos.

Estudantes estão felizes em retornaram para as salas novas da E.E. Pandiá Calógeras reformada. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)

Foram investidos mais de R$ 9 milhões na reforma dessa escola tradicional do bairro Santo Agostinho. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)

Barão de Macaúbas

Quem sobe as escadarias da entrada da Escola Estadual Barão de Macaúbas e observa as paredes do hall de entrada pode pensar que a pintura acabou de ser feita. No entanto, a arte registrada ali é quase centenária: a escola foi a primeira do bairro Floresta e é um pouco mais nova que a Barão do Rio Branco – foi construída em 1921 – e teve todo seu projeto arquitetônico original restaurado, sem danificar ou fazer modificações e destacando a beleza e os detalhes de pisos e pinturas.

O processo de reforma, restauração e ampliação da Barão de Macaúbas envolveu, além do resgate das características originais e recuperação da arte presente em quase todos os espaços, a construção de um anexo para laboratórios de ciências, biblioteca, três salas de aula, banheiros, áreas de convívio e quadra de esportes. Foram realizadas, ainda, a adequação de padrões de acessibilidade e a construção de palco para eventos culturais.

Também divididas em duas fases – a primeira com contrato de R$5,3 milhões e a segunda com investimentos de R$727.460 – as obras na primeira escola do bairro Floresta tiveram duração de quatro anos e sete meses, com início em julho de 2012. Durante a reforma, as aulas foram transferidas para o prédio da antiga escola Escola Estadual Pedro Américo, no bairro Santa Tereza, e, em fevereiro de 2017, a Barão de Macaúbas voltou a funcionar e a receber seus alunos e profissionais.

Além da revitalização, a escola Barão de Macaúbas passou por ampliação de espaços para melhoria dos atendimentos aos estudantes. Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)

“Foi um alívio ter voltado, mesmo com algumas pequenas reformas ainda para serem feitas. Não tem nada melhor do que voltar para a escola com a qual já estamos acostumados, ainda mais com tudo renovado e bonito assim”, disse a diretora Rita de Cássia De Paolis da Silva.

Lígia Ferreira de Carvalho Gonçalves, aluna do 9º ano, aprovou a reforma e comemora poder estudar em um ambiente bem cuidado. “A julgar pela aparência anterior e pelas condições antigas da escola, agora está muito melhor, sem contar que aqui tem uma estrutura maravilhosa para os alunos. O prédio do Pedro Américo nos suportou sem problemas, mas voltar para a sede da Barão de Macaúbas é sem comparação. Aqui a gente sabe que a escola é nossa, e agora muito mais bonita e com mais espaços”, disse a estudante.

Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)

Foto: Franciele Xavier (ACS/SEE)