A formação continuada de professores, diretores escolares e especialistas da Educação Básica, entre outros profissionais da rede estadual de ensino em Minas Gerais, será potencializada pela modalidade de Ensino a Distância em 2018. É o que planeja a Secretaria de Estado de Educação (SEE) por meio da Escola de Formação, responsável pela promoção de ações de qualificação e pela gestão de cursos e parcerias que acontecem nas escolas estaduais mineiras e nas Superintendências Regionais de Ensino (SREs).

Para isso, a diretora da Escola de Formação, Gabriela Pimenta Lima, explica que a Escola tem investido no uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) que possibilitem o maior alcance possível entre as equipes escolares e de cada SRE, já que o contingente que precisa de capacitação é grande. “Diante do desafio de atingir milhares de servidores da rede, em diferentes funções e com demandas de formação muito específicas, acreditamos que a Educação a Distância, além de economizar recursos financeiros e tempo de formação, permite uma comunicação mais rápida e eficiente da Secretaria com as escolas”, afirmou Gabriela.

As tecnologias necessárias para o funcionamento efetivo do ensino a distância estão sendo estruturadas em parceria com a Subsecretaria de Informações e Tecnologias Educacionais da SEE. O primeiro recurso a ser reconfigurado, de acordo com Gabriela, é o portal da Escola de Formação, ao qual são ligados os portais da Escola Interativa – plataforma que reúne recursos e Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAs) capazes de apoiar professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem – e o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Esse ambiente utiliza a plataforma Moodle para estruturação dos cursos on-line, emprego de diferentes mídias para disseminação dos conteúdos (textos, vídeos, podcasts, entre outros) e uso de ferramentas específicas que permitem acompanhar o desempenho dos cursistas e promover a interação entre alunos, tutores e professores dos cursos ofertados, por meio de fóruns, chats, webconferências, entre outros.

A Escola de Formação conta também com a TV Web, que dispõe de um estúdio pra gravação de vídeos em diferentes formatos (como videoaulas, entrevistas, pronunciamentos institucionais) que agregam à composição dos cursos, tornando-os mais atrativos. “Todos os recursos são estruturados de acordo com o perfil de cada formação. Os cursos têm uma estrutura pré-definida de acordo com suas especificidades. A Escola não produz todos os conteúdos sozinha. Mas é nosso papel possibilitar que as diferentes áreas da SEE que demandam e planejam formação conheçam as potencialidades de cada um destes recursos e possam acessá-los em seu planejamento”, esclareceu Gabriela.

Flexibilidade

Para exemplificar as particularidades de cada demanda, a diretora citou a formação continuada dos Especialistas de Educação Básica (EEB) planejada para este ano e que tem como premissa o fortalecimento da coordenação pedagógica nas escolas estaduais. “O EEB é o responsável pela coordenação do processo de ensino e aprendizagem nas escolas e pelo acompanhamento simultâneo de diversas turmas, estudantes e professores ao longo do ano. Seu papel é de extrema importância nas escolas e no sistema, pois ele também disseminar e monitora as ações pedagógicas que se configuram desde a SEE até as escolas. Fizemos um levantamento e constatamos que são mais de 10 mil EEB e, com isso, se fizéssemos um cronograma engessado de curso, poucos poderiam concluir a formação, pois a rotina de todos é muito dinâmica. Então, nossa opção foi desenvolver a formação continuada considerando o funcionamento escolar, em que as ações pedagógicas se estruturam por bimestres”, explicou.

No portal da Escola de Formação, os especialistas terão uma área específica, com as informações e orientações pertinentes à sua função ao longo de cada bimestre, na aba “Em Foco”. Lá, eles terão, por exemplo, orientações para aplicação, análise e utilização da avaliação diagnóstica do Banco de Itens do Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (SIMAVE) – uma das primeiras ações realizadas no início do ano letivo, cujos resultados proporcionarão a reflexão sobre diversas outras prioridades no decorrer do ano.

Nesta área também serão disponibilizadas abas para aprofundamento em leituras (Sala de Leitura) que dialogam com os temas abordados no “Em Foco”. Serão desde textos de caráter formativo-reflexivo até documentos oficiais, como resoluções, pareceres e outras legislações. Haverá, ainda, espaço para discussões (Fóruns) e postagens de práticas inspiradoras que relatem experiências (Coletivo de Educadores) compartilhadas por meio de vídeos, textos e outros formatos. Serão também oferecidos cursos livres, de curta extensão, através da plataforma moodle, que contemplem as discussões principais daquele bimestre. O especialista poderá realizá-los conforme sua disponibilidade de acesso e horários.

Desafios

Para Gabriela, um dos desafios da implementação da Educação à Distância é familiarizar os servidores com a modalidade de ensino e aprendizagem. “Nem todos os educadores têm familiaridade com este formato, mas apostamos nas primeiras experiências para que todos percebam como a formação a distância é eficiente. Tem que ter disciplina para realizar as atividades em tempos flexíveis e disposição de aprender com as novas tecnologias”, disse.

Em relação à infraestrutura e disponibilidade de acesso, Gabriela acredita que isso não será um impedimento. “Os recursos podem ser acessados de um celular simples, de um tablet, de notebooks e computadores de mesa. O único requisito é ter internet disponível”, explicou. No entanto, se alguma escola ou SRE apresentar dificuldades para se inserir nesse processo, tanto o órgão central quanto os NTEs em cada regional estarão disponíveis para auxiliar no que for necessário.

Espaços

Também estão disponíveis espaços de formação presencial como o Museu da Escola Ana Maria Casassanta Peixto, o Laboratório de Ciências Naturais Professor Leopoldo Cathoud e a Biblioteca do Professor, Bartolomeu Campos de Queiróz – todos abertos à visitação de escolas, pesquisadores e da comunidade em geral. Há também um auditório com capacidade para 100 pessoas e salas de aula para o desenvolvimento de cursos, oficinas e reuniões. “Nossa intenção é também investir no campus Gameleira como um espaço de formação que seja referência para os nossos servidores por meio da promoção de pequenos cursos presenciais”, completa Gabriela.

A previsão é de que vários cursos já estejam disponíveis a partir de março. Para ter acesso a eles, os servidores precisam ter o e-mail institucional da Secretaria de Educação. Aquele que ainda não o tiver, pode solicitá-lo ao Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) em sua regional.

Núcleos de Formação

Em 2018, o trabalho da Escola de Formação está estruturado a partir de três núcleos. O Núcleo de Formação para o Desenvolvimento de Aprendizagens é voltado à qualificação de professores e coordenadores pedagógicos e tem como foco o desenvolvimento de habilidades previstas no Currículo Básico Comum (CBC) da rede estadual e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O Núcleo de Formação na Educação Integral e Integrada é baseado na concepção que tem norteado a política da Secretaria de Educação e pretende capacitar todos os educadores com base no princípio de que os estudantes são sujeitos integrais e, por isso, não só o currículo básico será levado em consideração, mas também outras dimensões da formação humana. As formações promovidas por esse núcleo acontecerão em parceria com a Coordenação de Educação Integral e Integrada da SEE, universidades e outros órgãos, tanto para cursos presenciais quanto para ensino a distância.

Por fim, o Núcleo de Fomento à Educação a Distância, responsável por desenvolver diferentes recursos educacionais e perspectivas tecnológicas, sempre em diálogo com os outros dois núcleos e com outras áreas da SEE para que se potencializem os métodos de ensino e aprendizagem virtuais e amplie suas possibilidades.

Autonomia e Diálogo

A Escola de Formação tem a atribuição de planejar e fazer a gestão das formações oferecidas em toda a rede estadual de ensino em Minas Gerais. No entanto, cada SRE e cada escola estadual tem total autonomia para organizar as capacitações que considerarem necessárias. A SEE, por meio de seus programas, projetos e ações, é quem define as políticas e temáticas prioritárias e, com base nisso, a Escola de Formação desenvolve as formações principais. Mas as escolas e SREs, em seus contextos e territórios, têm total liberdade para planejar suas ações de formações, sejam em complemento àquelas ofertadas pela SEE, sejam em outras temáticas não contempladas no nível central.

Para que isso aconteça de forma organizada e efetiva, a Escola de Formação manterá constantes diálogos com as SREs para fazer o mapeamento das formações que acontecem em todo o Estado e das demandas de cada território. “A gente tem apostado muito nas equipes regionais, porque são elas que estão próximas das escolas, dos educadores. Então vamos manter a perspectiva de que precisamos estar alinhados com cada SRE para que tudo aconteça de forma efetiva”, finalizou a diretora da Escola de Formação.