Com o objetivo de conhecer a realidade das comunidades tradicionais e buscar atender suas demandas da área da educação, a Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, visitou, na última quinta-feira (23/11), a Comunidade Quilombola de Pontinha, no município de Paraopeba, no Território Metropolitano. Durante a visita, foi realizada uma roda de conversa com centenas de moradores como forma de melhor atender prioridades apontadas pela população, além de uma apresentação cultural com a participação de estudantes.

Estudantes da Comunidade fizeram uma apresentação cultural. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Em 2016, os moradores remanescentes solicitaram a possibilidade de implantação do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) naquela comunidade, demanda que foi levantada durante os Fóruns Regionais de Governo e que já atendida. Hoje, as modalidades são oferecidas dentro do prédio da Escola Municipal Doutor Teófilo Nascimento, como segundo endereço da Escola Estadual Padre Augusto Horta, com sede na zona urbana de Paraopeba.   

Centenas de moradores participaram de uma roda de conversa. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

Para a secretária Macaé Evaristo, é muito importante ter o apoio dos municípios para fortalecer a educação pública. “Para o Governo de Minas Gerais é muito importante olharmos para as comunidades que ficaram por muito tempo desassistidas. Tem sido um comando do governador Fernando Pimentel ter essa disponibilidade e sensibilidade para escutar as demandas das comunidades e garantir o direito à educação”, comenta.

Macaé ressaltou que as unidades de ensino dentro das comunidades quilombolas, indígenas e/ou rurais têm um potencial que vão muito além do educativo, pois elas fortalecem a cultura e a identidade local. “Quando fortalecemos as nossas unidade, abrimos o caminho para tirar as crianças e jovens de uma situação de vulnerabilidade. Vemos na educação um grande potencial de transformação, de emancipação e para construir uma melhor qualidade de vida para todos. E a educação é esse elemento que faz a diferença na vida das pessoas”, argumenta.

Estudantes da Comunidade fizeram uma apresentação cultural. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

O secretário executivo do Território Metropolitano dos Fóruns Regionais de Governo, Ronaldo Manassés, acompanhou a comitiva da SEE e destacou as entregas realizadas pelo Governo de Minas Gerais na região. “Em 2015, cheguei aqui na comunidade e conseguimos trazer vários serviços demandando pela comunidade, além da educação, que é um direito fundamental, para dar mais qualidade de vida para as pessoas, como a Copasa, Cemig, e serviços da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac). Os Fóruns Regionais de Governo são para isso; ir até as comunidades, ver quais são as suas principais demandas sociais e viabilizar o que for possível”, comenta.

Também estiveram presentes na roda de conversa a subsecretária de Informações e Tecnologias Educacionais, Mara Cristina Rodrigues Santos; o diretor educacional da Superintendência Regional de Ensino de Sete Lagoas, Arquimedes Pereira de Sousa; o prefeito de Paraopeba, José Valadares Bahia; a secretária municipal de Educação de Paraopeba, Telma Cristina de Oliveira; e a presidente da Associação de Moradores da Comunidade Quilombola de Pontinha, Zilma Maria Moreira.

Moradores apontaram as principais demandas da região. Foto: Eric Abreu (ACS/SEE-MG)

 

Comunidade Quilombola de Pontinha

Pontinha é uma comunidade quilombola situada em área rural de Paraopeba, região central de Minas Gerais. Seus moradores, em quase sua totalidade, levam o sobrenome Moreira, em homenagem ao padre Antônio Moreira. Segundo história oral passada pelos moradores mais antigos, por volta de 1785, Muzinga, filho de Chico Rei, se dirigia com outros escravos libertos a Diamantina, onde pretendiam trabalhar na mineração. Encontraram o Padre Antônio Moreira, que, ao perceber que levavam algumas porções de ouro, os convenceu a comprar “uma pontinha de suas terras, onde poderiam trabalhar e cultivar produtos para o próprio consumo”. A localidade conta com a igreja de Nossa Senhora do Rosário e a gruta da Lapa, dedicada a Nossa Senhora Aparecida.

Seus moradores cultivam milho, feijão e arroz, mas a comunidade é mais conhecida pela cultura do minhocuçu, espécie de minhoca gigante, muito utilizada como isca para pesca. Suas manifestações culturais são representadas principalmente no congado, samba e futebol. Durante o mês de novembro comemoram o Cangerê (manifestações culturais de origem africanas).