Mais de 1.900 professores participaram da iniciativa em 2018

O objetivo de capacitar professores para que eles se apropriem do Instituto Inhotim como um espaço de sala de aula e de fazer com que os jovens o reconheçam como um território fonte de práticas estudantis foi atingido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais em 2018, com 98,7% do público-alvo atendido.

Realizado no Instituto Inhotim, o programa “A Escola Vai ao Museu” tem como meta a formação de educadores para que eles se tornem mediadores pedagógicos entre a exploração da experiência de visitação ao centro de arte contemporânea, que é considerado o maior da América Latina, e os estudantes da rede estadual, mesmo que essa visita não seja necessariamente presencial.

Mais de 1.900 professores participaram da iniciativa em  2018.Foto: Divulgação

A última atividade do ano – visita de professores e alunos ao Inhotim para colocar em prática o que foi absorvido no processo de formação – aconteceu no dia 7 de dezembro e, com isso, a SEE conseguiu contemplar mais de 1.900 professores, dos dois mil pretendidos. Já os alunos atendidos chegam a cerca de 7.900, daqueles oito mil que inicialmente constavam no planejamento para serem direta ou indiretamente beneficiados pelo programa, ou seja, por aulas sobre o Inhotim dentro da escola ou pela visita ao centro de arte contemporânea para diversos tipos de aprendizado.

Para a coordenadora da Educação Integral e Integrada da SEE, Cecília Resende, este alcance é uma conquista do Escola Vai ao Museu, principalmente pelas escolas atendidas. “Conseguimos levar ao Inhotim professores e crianças de escolas situadas em áreas de extrema vulnerabilidade social, que raramente teriam a chance de ir sem o auxílio do programa, e o retorno que tivemos foi muito satisfatório. Recebemos materiais de projetos desenvolvidos por professores que receberam a capacitação, mas que não puderam levar seus alunos, e em muitos deles vimos que, se a escola não vai ao museu, o museu vai à escola”, afirmou Cecília.
Uma das unidades escolares que é um exemplo disso é a Escola Estadual José Heilbuth Gonçalves, no bairro Santa Branca, em Belo Horizonte, que teve quatro professores selecionados para participar da capacitação. Como não conseguiram levar os alunos para o dia de treinamentos e visitação às riquezas do Inhotim, elaboraram um projeto em que todos os alunos dos 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental criariam a reprodução da obra “Desvio para o Vermelho”, de Cildo Meireles, uma das instalações permanentes do Instituto, que ficou aberta para visitação nos dias 6 e 8 de outubro.

“Faz parte do plano de trabalho do Escola Vai ao Museu a reprodução de uma aula sobre o Instituto Inhotim pelos professores que receberam a capacitação. Depois de exibirem um vídeo sobre o Inhotim em sala de aula, tiveram a ideia de fazer a reprodução e todos os alunos participaram da construção do que eles chamaram de ‘Sala Vermelha’. Até outros professores que não tiveram a formação se envolveram no projeto, e foi muito proveitoso. O sucesso foi tanto que professores e alunos foram contemplados pelos gestores do Escola Vai ao Museu com uma visita ao Instituo Inhotim. Infelizmente não puderam ir todos, por questões de permissão dos responsáveis e até por critérios como envolvimento no projeto do início ao fim, mas todos que visitaram o centro de arte contemporânea ficaram maravilhados. E o mais satisfatório foi que eles puderam ver pessoalmente a obra que reproduziram dentro da escola e se sentiram o máximo”, esclareceu a diretora da Escola Estadual José Heilbuth Gonçalves, Luciana Malheiros.

Releitura da obra Desvio Para o Vermelho, de Cildo Meireles, realizada por alunos da EE José Heilbuth Gonçalves. Foto: Divulgação

Formação Continuada

A formação dos professores teve duração de um dia, com seis horas de imersão para, além de conhecer a logística de funcionamento do local, permitir a discussão transversal sobre os temas norteadores “Educação para o Desenvolvimento e Sociedade Sustentáveis”, “Diversidade Cultural”, “Mídias Digitais e Educação” e “Busca pelo Fazer Interdisciplinar”. Depois desse processo, que inclui um certificado de formação, os professores voltaram ao Inhotim com seus alunos para realizar as atividades que prepararam de acordo com o conteúdo da qualificação e em consonância com o perfil dos estudantes e o contexto do processo de ensino e aprendizagem e da realidade de suas escolas.

Um dos educadores do Instituto Inhotim que realizou a formação com os professores é Elton Rodrigues dos Reis, que avalia como muito positiva esta parceria entre SEE e Inhotim. Ele defende a formação continuada dos profissionais que participaram do programa. “Percebemos que a formação desses professores é fundamental para proporcionar uma melhor experiência para os educadores e estudantes com melhor aproveitamento do conhecimento no que se refere ao Inhotim. Com a qualificação, eles estão aptos a se apropriarem do que foi visto e aprendido no Instituto, não só para serem mediadores durante a visita dos seus alunos, mas também para levar aquele conteúdo para outras atividades na própria escola, por exemplo. Inclusive atividades que incentivem o uso dos espaços da comunidade escolar a favor da Educação, como transformação de muros, praças e jardins por meio da arte”, argumentou ele. “Esta sequência de práticas pedagógicas clamam por uma formação continuada, e por isso oferecemos, além do fichário com material físico que fica nas bibliotecas de cada escola que enviaram seus professores, uma plataforma virtual chamada de Rede Educativa, criada para manter o diálogo com aquele educador, tirar suas dúvidas, disponibilizar materiais, entre outros”, explicou Elton.

Além do material disponível física e virtualmente, cada professor que se forma no programa Escola Vai ao Museu ganha duas “Cortesias Formação”, que são vale-entradas para voltar ao Instituto Inhotim duas vezes ou com um acompanhante para atualizar, reforçar ou ampliar os conhecimentos sobre o acervo, o Jardim Botânico, ou qualquer outro espaço pertencente ao local.

Escola Vai ao Museu
O programa foi criado em 2015 e é realizado em parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e o Instituto Inhotim. O objetivo é incentivar alunos da rede pública e qualificar educadores para promoção e utilização dos acervos artísticos e botânicos e dos recursos pedagógicos do Inhotim.

Durante o curso, os professores trocam experiências, conhecem melhor a estrutura e normas de funcionamento do Instituto e debatem as variadas abordagens pedagógicas possíveis de serem realizadas por meio dos acervos. Os docentes exploram o espaço, buscando desenvolver, cada um a partir das suas próprias particularidades, o desenho de circuitos de visitação específicos para as suas turmas de estudantes.