Estudantes da Escola Estadual Júlia Kubistcheck, de Passos, no Sul de Minas, assistem à aula no Parque das Mangabeiras. Foto: Arquivo/Escola

Três meses depois da realização do Diálogos Abertos com a Capital, a Secretaria de Estado de Educação fez o balanço do projeto, que tem o objetivo de propiciar a expansão do conhecimento dos estudantes do Ensino Médio Integral e Integrado para além do que é visto nas dependências da escola. Mais de 2 mil participantes, entre estudantes, professores, coordenadores, técnicos e analistas responderam à Ficha Avaliativa enviada individualmente após os encontros que aconteceram em Belo Horizonte, durante o período de 3 a 7 de setembro deste ano.

O retorno recebido mostra a boa aceitação da experiência de conhecer pontos turísticos de Belo Horizonte e, ao mesmo tempo, estudar conteúdos de componentes curriculares tradicionais de uma forma nada convencional. Os estudantes da Escola Estadual Júlia Kubitschek, do município de Passos, no Sul de Minas, por exemplo, nunca imaginavam que o Estádio Jornalista Felipe Drummond, também conhecido como Mineirinho, pudesse ser o motivo de uma aula de matemática. “Os alunos ficaram impressionados. Eles fizeram até ‘ola’ para a professora que ensinou o conteúdo, porque não pensavam que aquele ambiente seria palco de aulas de matemática, sem contar que era a primeira vez da maioria deles em um ginásio daquela dimensão”, revelou o diretor da escola, Itamar José de Oliveira Júnior.

Ele, que acompanhou o grupo de estudantes, explica que, dentro das orientações de Pesquisa e Intervenção para o Ensino Médio Integral e Integrado, já desenvolve com os alunos atividades semelhantes desde 2017, ou seja, visita espaços de uso público do município e entorno para que eles entendessem e se interessassem mais sobre as especificidades de sua região.

“Já fomos até a represa de Furnas, para se ter uma ideia, e as pesquisas em Belo Horizonte nos inspiraram ainda mais a continuar esse tipo de projeto. É impressionante como aprender sobre a geografia, história, política e literatura da capital mineira é muito mais prazeroso e proveitoso no Parque das Mangabeiras. E tudo realmente está interligado, é possível entender várias disciplinas por meio da história de um só lugar. Tanto os estudantes quanto nós, educadores, voltamos com a mente mais clara e com a cabeça mais aberta para pesquisas. Porque vão surgindo ideias, você já começa a pensar os lugares na sua cidade que podem render tanto conteúdo. Ficamos encantados e, durante a volta para Passos, já estávamos com saudade”, disse o diretor, que ainda citou vantagens que o Diálogos Abertos com a Capital promoveu como a socialização e confraternização entre alunos de Ensino Médio em modalidade integral de todo o Estado. Além do Mineirinho e do Parque das Mangabeiras, o grupo Júlia Kubistcheck teve aulas em pontos turísticos como Parque Municipal, Jardim Zoológico e Jardim Botânico.

Registro os estudantes após aula de matemática no Mineirinho. Foto: Arquivo/Escola

A coordenadora da Educação Integral e Integrada da SEE, Cecília Resende, por meio de todos os retornos recebidos, elaborou um Mapa de Palavras para ilustrar o balanço do projeto. Entre as mais citadas estão “Experiência”, “Oportunidade”, “Aprendizado” e “Conhecimento”. “Fizemos uma montagem das palavras mais citadas pelos alunos, professores, técnicos, coordenadores e analistas quando respondiam às questões propostas na ficha avaliativa. Quando a pergunta era ‘Que bom que...’ a maioria colocou sobre conhecer novos lugares, fazer amizades, aprender, ter a oportunidade de estar ali. Quando pedíamos uma sugestão, com a pergunta ‘Que tal se...’ muitos responderam que gostariam que todos os anos acontecessem esses encontros entre as escolas estaduais do Ensino Médio. E na hora de identificar fragilidades, perguntamos ‘Que pena que...’, e a maioria falou sobre pouco tempo, sobre acabar, e também sobre todos os alunos não terem tido a oportunidade de ir ao Inhotim”, explicou Cecília.

Mapa de Palavras elaborado pela Coordenação de Educação Integral e Integrada com as respostas do item

A coordenadora da modalidade de ensino comemora: “É muito satisfatório ver esse resultado. O Diálogos Abertos com a Capital pretende, além de tudo, propor um momento de formação continuada para os professores, que podem repensar métodos de ensino, e um momento de convivência e apropriação de território para os estudantes. Mais legal ainda é saber que o que foi feito em Belo Horizonte está sendo replicado nas escolas, ou seja, eles estão realizando o Diálogos Abertos em seus próprios territórios. Já recebemos muitos vídeos e outros retornos sobre essa continuação”, disse Cecília.

Diálogos Abertos com a Capital

O Diálogos Abertos com a Capital aconteceu entre os dias 3 e 7 de setembro de 2018, com a participação de 3.000 estudantes do Ensino Médio Integral e Integrado de 62 escolas estaduais distribuídas por 61 municípios, de 42 Superintendências Regionais de Ensino. Em Belo Horizonte, eles conheceram tradicionais locais da cidade e participaram de um processo de aprendizagem além do convencional, dentro das dependências da escola. Foram visitados Cemitério do Bonfim, Parque Municipal, Parque das Mangabeiras, Inhotim, Museus do Circuito Liberdade, Filarmônica, Fundação Zoobotânica, Plugminas e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais ( FAPEMIG).

Alunos da Escola Estadual Júlia Kubistcheck duranta aula na Universidade Federal de Minas Gerais. Foto: Arquivo/Escola

Enviar para impressão