Escola Estadual Lígia Maria de Magalhães  está recebendo desabrigado. Foto: Marcelo Ernesto

As intensas chuvas que afetaram vários municípios de Minas Gerais nos últimos dias deixaram inúmeras pessoas desabrigadas, além de causar mortes em Belo Horizonte, região metropolitana e no interior do estado. Segundo levantamento da Defesa Civil estadual, mais de 50 pessoas morreram, 120 municípios decretaram situação de emergência e outros três de calamidade pública. Diante da situação, as escolas estaduais têm servido como importante ponto de apoio para acolhimento das pessoas que foram afetadas e se viram sem condições de voltar para suas casas ou perderam tudo devido à força das águas.

Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desde quinta-feira (23/01), a Escola Estadual Lígia Maria de Magalhães foi aberta para acolher os atingidos pelo desmoronamento e deslizamento de terra no Morro dos Cabritos, no Bairro Colorado. Os moradores foram pegos de surpresa e precisaram ser encaminhados para a unidade de ensino ainda durante a madrugada, quando a defesa civil da cidade determinou que o local fosse evacuado. “A escola foi aberta desde a primeira chamada em que fui solicitada”, contou a diretora Angélica Bárbara Gontijo.

Ainda de acordo com a diretora, a escola sempre teve papel importante para a vizinhança que tem no espaço referência de acolhimento em diversos momentos. “Boa parte dessas pessoas são alunos ou foram alunos. Então a escola, mais uma vez, está aberta nesse momento de dificuldade e eles sabem que não seriam abandonados”, disse.

Ninguém perdeu a vida na região em que a escola está localizada, mas os danos materiais foram relevantes. Para Daiane do Carmo Marinho, de 26 anos, o momento é difícil, mas ser acolhida na escola ameniza um pouco as dificuldades. Ela foi aluna da unidade de ensino quando criança e sua filha também é estudante da unidade escolar. “Nunca imaginei que passaria por essa situação na escola em que estudei”, comenta.

Todas as salas da escola estão sendo usadas para abrigar cerca de 100 pessoas. Além de outros espaços que foram adaptados para guardar as doações e os mantimentos usados para preparar as refeições. Para Rafaela da Costa, de 23 anos, a situação dos moradores é muito difícil. Contudo, ela espera poder voltar em breve para casa ou um local seguro. “A acolhida das pessoas está sendo boa. Mas, a situação está complicada. Tem muita gente. Mas a escola nos acolheu bem”, ressaltou.

Interior

A intensidade das chuvas também provocou estragos em cidades do interior do estado. Em Espera Feliz, na Zona da Mata, as chuvas deixaram boa parte da população desabrigada. A localização da Escola Estadual Interventor Júlio de Carvalho, na parte mais alta do município, permitiu que a unidade de ensino não fosse afetada e ainda recebesse cerca de 100 pessoas que precisaram deixar suas residências. De acordo com a diretora da escola, Heuda Costa, toda a infraestrutura está sendo usada pela Defesa Civil para atender os desabrigados.

Heuda conta que a relevância da escola faz com que ela sirva de referência em diversos momentos que extrapolam o ensino. “O papel da escola é esse de acolher, não só na parte pedagógica. A escola está para servir a comunidade. Se neste momento a comunidade está precisando deste tipo de ajuda, é assim que vamos ajudar”, afirmou a diretora que tem acompanhado a situação e ajudado nos acolhimentos, juntamente com a equipe da escola.

Em Caparaó, na Zona da Mata, a situação também é difícil depois das chuvas que atingiram a cidade. No município, afetado por deslizamentos e inundação, a Escola Estadual Professor Francisco Lentz tem sido usada como abrigo para cerca de 200 pessoas que perderam suas casas ou tiveram que abandoná-las até que não estejam mais em risco.

Em Caparaó, a escola também foi aberta para acolher quem está desalojado por causa das chuvas: Foto: acervo Escola Estadual Professor Francisco Lentz

A diretora da unidade de ensino, Beatriz Rodrigues Valério, conta que todas as famílias que estão sendo encaminhadas para ficarem abrigadas lá tem contado, também, com a ajuda de voluntários. A própria equipe da escola tem colaborado e somado esforços com outras pessoas dispostas a contribuir. “A escola está desempenhando um papel importante para as famílias. As outras escolas acabaram sofrendo com as chuvas e ficaram sem acesso. A gente está se desdobrando para tentar fazer o melhor para ajudá-los”, disse.

Mesmo com as escolas sendo usadas como importante ponto de apoio, a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) mantém a previsão de retorno das aulas para o dia 10 de fevereiro.