Projeto de Iniciativa solidária de alunas do ensino médio da Escola da PCMG gera repercussão nas redes sociais

Todos os dias, Lyvia Selen, 17 anos, acorda pontualmente às 5h30 na casa onde mora com os pais, no bairro Nova Cintra, região oeste de Belo Horizonte. Como muitas adolescentes, além da ansiedade comum para as provas e atividades pedagógicas que seguirão ao longo do dia, outras pressões psicológicas estão em jogo: o Bullying, o preconceito, as fofocas, a vaidade, a baixa autoestima e, até mesmo, a preocupação com a tensão pré-menstrual, a TPM.

Porém, ultimamente Lyvia tem se sentido melhor para enfrentar o dia a dia. Há cerca de um mês, a aluna do 3º ano da Escola Estadual Ordem e Progresso, administrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), viu uma postagem em uma rede social que mudou a sua visão. Na ocasião, ela estava acompanhada da colega de sala Vitória Carolina Ribeiro Almeida, 18 anos.

"Nós descobrimos que em uma escola de outro Estado, alunas do ensino médio formaram um grupo de apoio para várias causas na instituição de ensino, e ficamos simplesmente fascinadas pela maturidade e engajamento que tiveram ao apoiarem-se umas nas outras", conta Vitória

Corresponsabilidade

Em pouco tempo, a ideia do grupo de apoio se espalhou entre alunas dos turnos da manhã e noite. As estudantes criaram um grupo de WhatsApp dedicado exclusivamente ao planejamento das ações. "Começamos com a inserção de uma caixa para absorventes no banheiro feminino, disponível a todas as alunas do Ordem e Progresso. Com o tempo, vimos que essa ação singela já causou um enorme impacto na sensação de acolhimento das meninas", explica Isabella Leandra Santos Pires, 17 anos.

Para a vice-diretora do Colégio, Ana Beatriz Bacarat, o mais importante do projeto é justamente a iniciativa exclusiva por parte das alunas. "Em nenhum momento a inciativa partiu da direção da escola. Nós ficamos encantados com o grau de corresponsabilidade dessas meninas, que se mostraram altamente engajadas para suprir carências que, em muitos níveis, estão além das competências do conselho pedagógico", destaca. "Para se ter uma ideia, até os banheiros começaram a ficar mais limpos!", enfatizou.

Sem exageros de "Ana Bia", como a coordenadora é carinhosamente chamada por todos os alunos, a visitante que tem a oportunidade de conhecer o banheiro feminino do Ordem e Progresso, de fato, tem um impacto diferente. Além da famosa "caixinha de primeiros socorros", todos os espelhos e interior das cabines são decorados com dizeres motivadores. "Seja você mesma", "troque um assédio por uma denúncia", "você é linda", "você não está sozinha, amiga!" são algumas das frases, acompanhadas de ilustrações manuscritas, visíveis por todo o vestiário.

Foto: Divulgação/PCMG

Reconhecimento

O sucesso do projeto foi tão instantâneo, dada a divulgação nas redes sociais, que Ana Beatriz começou a receber ligações e e-mails de pais de alunos que nem estavam envolvidos diretamente nas ações. "Eles me ligavam elogiando a iniciativa da escola, e eu dizendo: não, é tudo ideia das meninas!". A pedagoga afirma que a única forma concreta dos discentes alcançarem o engajamento social é, justamente, quando os projetos partem deles.

Ocorre que a atitude vai muito além de um aperto de mão. Como conta Joyce Lorena Loyola Braz, 17 anos, o banheiro tornou-se um local muito mais aconchegante para os desabafos necessários da rotina escolar e, muitas das vezes, também para encarar de frente os desafios da vida adulta. "Eu já sofri muito preconceito racial por outros alunos e sei que isso, infelizmente, é comum em qualquer escola, mas aqui nós estamos aprendendo sobre os nossos direitos e a nos unirmos para sermos melhores", diz Joyce, com alívio. Lyvia mesmo, uma das idealizadoras do projeto, trata contra depressão há cerca de um ano e não se abate pois, agora, pode contar com uma rede de proteção das colegas.

Desafios

E a iniciativa não para por aí. No desenvolvimento do projeto, as alunas se depararam com uma série de tabus e barreiras que poderiam tê-las desmotivado a continuar, mas elas foram persistentes. "Quando descobrimos que até essas pequenas ações geraram fofocas, nos unimos ainda mais para passar uma imagem positiva, e não reativa às críticas", observa Nathália Michelle Martins Domingos, 17 anos. "Era para ficarmos irritadas, mas a reação dos meninos chegou a ser engraçada, quando sugerimos que colocassem desodorantes e outras utilidades no banheiro deles também", disse Vitória, com um sorriso no rosto. Mas elas não desistem. "E por que não implantar algo semelhante para os meninos?", disse uma das alunas.

"Por mais que tenhamos uma equipe pedagógica e psicológica altamente capacitada, o projeto das alunas de ensino médio demonstra os sentimentos de empatia e amor que vão além de uma grade curricular". A consideração é do Diretor do Ordem e Progresso, Delegado-Geral Aci Alves dos Santos, a frente do cargo desde 2015.Orgulhoso, costuma chamar seus alunos de "filhos". "Sou delegado há bastante tempo e sempre prezei pelo tratamento mais humano possível. Essa é a imagem que a Polícia Civil de Minas Gerais quer passar para quem ainda não nos conhece", afirma.

Ordem e Progresso

Destinado a, principalmente, dependentes e parentes de servidores da Polícia Civil de Minas Gerais, o Colégio atende do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, alcançando altos índices de aprovação em vestibulares.

Tem como visão ser uma instituição reconhecida pelo dinamismo, integrado e comprometido com a formação de cidadãos críticos, éticos, conscientes, capazes de cumprir com responsabilidade social, sempre respeitando as diferenças. Além disso, é referência pela qualidade de ensino e pelas ações que desenvolve na busca para aproximar a família e a comunidade da escola, elevando o nível de aprendizagem dos alunos

Fonte: ASCOM-PCMG

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